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Curitiba discute a delicada relação entre a mídia e a militância

A mídia finalmente entrou na pauta do movimento LGBT brasileiro durante a pré-conferência “Mídia e LGBT” da programação da V Conferência Regional ILGA-LAC, que está sendo realizada em Curitiba até o próximo sábado, 30. A discussão teve início na última terça-feira, 26, reunindo profissionais da Comunicação em torno de um debate antigo: a relação entre a mídia, incluída aí a segmentada, e os LGBT.

Para abrir o debate na terça, foram convidados nomes conhecidos da imprensa e movimento LGBT como Ana Fadigas, criadora da G Magazine; Léo Mendes, secretário de comunicação da ABGLT; Luis Mott, decano da luta no Brasil; Ferdinando Martins, professor da USP e uma das cabeças da pré-conferência; e Alan Johan, editor da Revista Lado A, publicação curitibana voltada ao público LGBT.

O objetivo principal é garantir um diálogo de qualidade entre a imprensa e a causa LGBT, tirando de uma vez por todas a atenção das pautas que envolvem a diversidade somente para casos de polícia, matérias de péssima representação. Um dos caminhos apontados é uma abertura maior deste diálogo como forma de troca de informações construtivas, corretas. “É preciso discutir como ampliar essa participação, nós não exploramos suficientemente o que podemos fazer, por exemplo, de advocacy na mídia”, aponta Mott.

Em seguida, Ana Fadigas adicionou ao discurso do decano sua experiência de quando lançou a G Magazine mostrando que a falta de opções de informação e representação para e dos homossexuais não era exclusiva da chamada grande imprensa. “Eu não tinha noção do tamanho do abandono deste público carente de informações.” Como o objetivo é ampliar essa relação, a discussão continua ainda nesta quarta-feira, 27, com mais duas mesas de debate ao longo do dia.

O momento é propício para este tipo de encontro porque conseguiu reunir nomes da Academia, do movimento organizado e da imprensa como o Mixbrasil, que participa da discussão sobre padrões de qualidade na mídia, em um mesmo lugar. Com poucos e bons participantes, a pré-conferência de mídia pode representar o começo de uma mentalidade que não ignora a importância de se construir a representatividade por meio da mídia, um sinônimo de Terceiro Milênio.