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Wanderley Montanholi

Wanderley Montanholi nasceu em Paranavaí, morou em Maringá e atualmente estuda no Rio de Janeiro onde recentemente foi protagonista do filme “Por outros olhos – Homofobia na Escola”.

O filme é de uma parceria entre o Grupo Arco-Íris e a UFRJ. Em um mundo onde todo mundo é homossexual, um menino e uma menina se apaixonam. Nessa realidade trocada, estes dois héteros têm de enfrentar os preconceitos e discriminações que LGBTs enfrentam no nosso mundo real.

Assista o filme!

Como surgiu o convite para fazer o curta “Homofobia na Escola”?
Eu participei dos testes na sede do Grupo Arco-Íris aqui no Rio de Janeiro umas 2 semanas antes de ser selecionado, o projeto foi explicado para todos e acabei me interessando bastante por ele. O trabalho foi sem remuneração, então só trabalhou no curta quem realmente teve um interesse em especial pela garra desses garotos que nunca tinham sequer tocado em uma câmera. Quando recebi a notícia que seria o “Gutto” (protagonista) fiquei orgulhoso, era um tema delicado de ser abordado, mas muito gratificante no fim das contas. Mesmo que algumas pessoas ainda não estejam prontas para tratar de assuntos dos quais elas não entendam, o curta mostra de uma maneira delicada (e engraçada para alguns) como seria o mundo invertido, as realidades invertidas e o preconceito ao contrário. Tenho certeza que é um belo toque para a sociedade dizendo: “Qualquer tipo de preconceito é ridículo!”.

Onde você mora atualmente e como foi sua passagem por Maringá?
Atualmente eu moro no Rio de Janeiro, vim pra cá seguir essa carreira artística maluca, ser ator. Maringá é uma das coisas que mais me fazem falta hoje em dia. Uma cidade tranquila, com amigos de verdade, pessoas que realmente se importam com você, que gostam de você pelo simples fato de serem hospitaleiras. Eu nasci há 74 km de Maringá, numa cidade chamada Paranavaí. Parei em Maringá depois que não consegui fazer minha faculdade em Londrina e ganhei bolsa pra Direito em uma facul aí da cidade. Tive os melhores e os piores dias da minha vida aí, dividido com todos. Sem contar que não tem “noite” igual a de Maringá, os mais animados bares e as mais engraçadas situações. Resumidamente, Depois de alcançar meu objetivo profissional, eu volto a morar em Maringá e fico na escala PR-RJ!.

Qual é sua melhor lembrança de Maringá?
As noites divertidas em que a gente virava a madrugada na rua, eu e os meus grandes amigos. Sem contar que minha “irmã” (grande amiga) é daí também, mesmo que atualmente ela more em Curitiba, ainda temos alma maringaense. É difícil dizer qual a melhor de todas as lembranças boas daí, mas posso dizer que todos os dias em que passei com o meu grupo de amigos, unidos, em qualquer lugar, seja na praça da catedral, seja nos bares da vida, seja até mesmo em casa fritando pastel, fizeram de mim quem eu sou hoje. E são eles que ainda me dão força pra continuar acreditando.

Você sofreu algum tipo de preconceito em Maringá?
Bom, nem antes e nem depois da repercussão do filme. Graças a Deus nunca sofri nenhum tipo de preconceito, até por minha vida ser bastante reservada. Mas já vi amigos sofrerem preconceito em Maringá tanto pela cor da pele, quanto pela orientação sexual, ou fator de econômia social/familiar. Isso pra mim é degradante para o ser humano.

Qual seu objetivo como ator?
Poder trabalhar apenas com arte e poder me dedicar a isso. Ser reconhecido demora um tempo, embora o reconhecimento já esteja chegando com alguns trabalhos que participei aqui no Rio e aí no PR. São 12 anos de carreira já, eu comecei aos 8 anos. Atualmente estudo para entrar na TV, como eram os inicias planos, e para dar meu melhor quando estiver lá. No fundo, no fundo, ser ator é apenas uma máscara para o que eu realmente gostaria de fazer – criar projetos sociais que envolvessem os grupos excluídos da sociedade – mas, para esses projetos serem reconhecidos, o criador precisa de um certo reconhecimento, e a arte, que é algo que eu amo, traz isso também.

O que acha do casamento gay?
Acho que como todas as pessoas os gays tem o direito de se unirem e firmarem relações estáveis e sólidas. Até legalmente falando isso daria uma segurança melhor aos parceiros e parceiras brasileiros em relação ao patrimônio que ambos venham a construir na duração da relação. Além disso, o casamento deve ser aproveitado por todos como um ato de demonstração de amor maior, e os gays/lésbicas tem todo o direto de demonstrar esse afeto. O que importa, bem lá no fundo, é o amor que um devota ao outro, não importa que este amor seja de duas pessoas do mesmo sexo ou não.

Como esta sendo a repercussão do filme?
Esta sendo boa, como já esperávamos. As gravações foram puxadas, os dois diretores [Sylvia e Álvaro] se dedicaram a aprender em 6 meses de curso (incluídos no projeto) como era ser diretor de cinema, produtor, iluminador, sonoplasta e, no fim, tivemos um excelente trabalho para quem está começando. Gostei de ter participado no crescimento profissional deles e já estamos encabeçando outro projeto agora, com mais atenção e mais tempo de produção para consertarmos algumas falhas existentes no primeiro curta. É legal ouvir hora ou outra na rua: “Ei, tu não é o garoto do curta da UFRJ?!” – isso é bom!