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Angelo Rigon

Como e quando surgiu o Blog do Rigon?
Surgiu em maio de 2005, no auge de uma crise pessoal. Tive a idéia depois de ter comandado o primeiro site de notícias em tempo real da cidade, o Maringá News. Estava sem cabeça para continuar tocando o site e preferi o blog para tentar me expressar sobre a desilusão que passava e tentar minimizar a timidez que sempre tive. Li que ter um blog, escrever sobre meu cotidiano, poderia ajudar a acabar com a timidez. Mas, quando comecei a escrever, o blog passou de um diário íntimo para um blog de notícias por exigência dos leitores. Hoje pouco ou nada tem de blog pessoal.

O que você gosta e o que odeia ler nos comentários do blog?
Por formação, não ligo para o conteúdo dos comentários que me atacam, e são muitos. A maioria nem chego a ler. Decidi, depois de um tempo, que é melhor não somatizar, por isso apago os que considero muito ofensivos. Não me incomodaria em liberar todos, mas a questão é que quando libero críticas a mim os leitores se sentem no direito de atingir, com a mesma dureza, pessoas que são citadas nas postagens. Mas tudo, ainda, depende muito de meu estado de espírito. Tem dia que estou bem, libero mais críticas; tem dias que não.

O Blog do Rigon é um trabalho ou uma diversão?
Hoje é trabalho, vivo dele. Era para ser uma diversão, um diário pessoal, mas meu público leitor – que sempre foi exigente e sempre me cobrou – não deixou. Percebi na internet que existe uma comunidade que se preocupa com determinados temas. E olha que meu blog é principalmente político.

Como se sente pelo fato de o Blog do Rigon hoje ser um dos maiores blogs de Maringá?
Eu me sinto lisonjeado em consequencia da repercussão, dos telefonemas e dos emails que recebo. Hoje dou uma importância ao blog, e ao que escrevo, algo que eu não mensurava nem na época que escrevia somente em jornal. Uma coisa, tenho esta sensação, é escrever ou permitir que escrevam determinadas opiniões em minha página; outra coisa é ver essas opiniões em outros blogs. Infelizmente, por causa das pressões, das notificações judiciais e das ações, escrever na minha página exige mais cautela do que eu gostaria de ter.

Qual o tema que quando você posta já sabe que vai causar polemica?
Há temas que são tiro-e-queda. Às vezes coloco de forma proposital um assunto que vai dar repercussão – e isso não significa apenas número de comentários. Nunca liguei para comentários porque eu mesmo, quando visito outros blogs, raramente comento e, além disso, o “barulho” é a discussão no mundo real e não no virtual.

O que você não gosta e o que mais gosta de postar em seu blog?
Em relação a temas, nada específico. O que tento fazer questão é de noticiar antes dos outros, e não importa se é questão de minutos ou de semanas.

Três blogs que sempre lê em Maringá?
O do Messias Mendes, o do Lauro Barbosa e o anônimo Notícias da Província são os que eu acesso religiosamente.

Qual o jornalista de maior credibilidade em Maringá?
Gosto do que o Messias Mendes escreve. Desde os 13 anos de idade eu leio o que ele escreve.

O Rigon é favorável ou contra o casamento gay?
Minha formação religiosa me levou a ser contra durante muito tempo. Hoje, conhecendo mais o aspecto jurídico inclusive, eu sou mais tolerante – o suficiente para dizer que não sou contra.

No legislativo atual de Maringá, seria possível aprovar uma “lei do beijo gay” semelhante a aprovada em 2008 no Rio?
Acredito que sim. Principalmente se o projeto for apresentado ainda este ano, que é o primeiro do mandato da maioria dos vereadores.

Na sua opinião, o prefeito Silvio Barros assinaria um decreto aprovando uma lei contra a homofobia?
Ele tem sério problema de postura, tem dificuldade em assumir posição. Silvio II se diz religioso mas não é apaixonado; usa o tema da religião mais para capitalizar politicamente, mas não tem capacidade de assumir convicções. Ele deixaria o prazo da sanção passar, para que a Câmara pudesse homologar.

Maringá é uma cidade homofóbica?
Maringá é uma cidade conservadora, e a homofobia ainda faz parte da cultura dos fazendeiros que fazem desta uma cidade conservadora. Ganhei um processo contra o ex-deputado Pinga Fogo de Oliveira por ele ter me agredido verbalmente; em sua emissora de rádio ele me chamou várias vezes de “viado” – e, como não sou homossexual, entendo isto como um dos piores xingamentos que o sujeito pode fazer, é muito reprovável. Este tipo de coisa ainda faz parte de uma velha cultura que o tempo está se incumbindo de apagar.