Ou Teologia Inclusiva – como também é chamada. Nasceu em 1968, com o Reverendo Troy Perry, fundador da Metropolitan Community Church, primeira Igreja direcionada para a pregação do evangelho para gays, lésbicas e transgêneros. Trata-se de uma ciência espiritual que traz uma releitura contextualizada da Bíblia, rejeitando o fundamentalismo cristão e afirmando que a Bíblia, de forma alguma, reprova ou condena a homoafetividade.
Retrata a Inclusão Espiritual das minorias. Para ela, o Evangelho é para todos e todas, sem distinções, como pode ser visto na própria palavra de Deus: “Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o temem e fazem o que é direito lhe é aceitável” (Atos 10:34-35).
Para muitos cristãos conservadores, a Teologia Inclusiva é vista como parte de uma espécie de militância gay através de argumentações tendenciosas e, portanto, falaciosas que não resistem a uma análise mais acurada, sendo desprovida das motivações que estão por trás da maioria das afirmações dos mentores do movimento gay, incluindo sua teologia.
Diante disso, é possível haver charlatões dentre os teólogos gays? É possível que preguem a palavra de Deus como forma de refutação ao fundamentalismo, apenas para justificar seus interesses pessoais? Sim, é possível como da mesma forma há hipócritas e falsos profetas na teologia dominante conservadora. A religião, onde quer que haja, infelizmente, não está isenta desta problemática.
Entretanto, a teologia a que me refiro aqui, se refere a uma Igreja que integra um movimento de vertente protestante que não vê a homossexualidade como uma doença a ser curada. E tem como proposta a defesa dos direitos humanos, o que inclui a luta contra a homofobia religiosa, pregando que Deus ama a todos, independentemente da orientação sexual. Muitos dos membros agregam-se à Inclusão, por não se sentirem aceitos em suas Igrejas e não tendo o direito de exercer a sua fé.
Os teólogos inclusivos ressaltam que os membros da igreja inclusiva não querem se colocar em evidência, ou fazer um movimento em prol da causa homossexual, mas apenas ter a liberdade de culto respeitada, assim como sua orientação sexual. Eles dizem, ainda, que o objetivo é mostrar uma opção para as pessoas aflitas e excluídas, que querem viver sua espiritualidade.
Especificamente, Otto Maduro, professor de Cristianismo Global, diz: “A teologia da libertação tem que dar o apoio condicionado e crítico, desprendido e altruísta. Não à necessidade de quem está no poder, mas daqueles que mais sofrem. Temos que ser porta-vozes dos sem voz. Não se pode justificar os abusos e ignorar as exclusões, porque elas também existem nos governos socialistas”.
As igrejas tradicionais e conservadoras, por sua vez, pregam a condenação aos homossexuais a partir da leitura literal dos trechos da Bíblia que falam de homossexualidade, baseando-se em traduções e não no texto original. Contudo, sabe-se que a palavra homossexual apenas apareceu no século XIX. Já a Teologia Inclusiva entende as Sagradas Escrituras à luz da palavra de Deus, baseando-se na leitura histórico-crítica.
Desde a sua fundação, a Igreja Inclusiva e seus membros têm sido vítimas da violência e da intolerância religiosa. Mas por que tanta homofobia religiosa? Deus ama tanto a diversidade que nos fez diferentes uns dos outros: brancos, negros, altos, magros, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais. Por que o preconceito? Por que a discriminação?
Segundo Márcio Retamero, “a homossexualidade é uma orientação sexual como a heterossexualidade também é. A orientação sexual faz parte da diversidade da criação de Deus e tudo o que Deus criou. Neste sentido, homossexualidade é bênção de Deus e não maldição. Os que usam as Escrituras para condenarem a homossexualidade nada sabem sobre a Bíblia”.
Desta maneira a Igreja Inclusiva acaba concretizando-se como um evangelho genuíno que inclui a todos em Cristo, pois crê em Jesus como filho de Deus que deixou o exemplo da Inclusão: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).
Contudo, em suma, acredito que não é uma nova forma de evangelização dos homossexuais, convertendo-os a determinadas denominações Inclusivas, que o Evangelho de Cristo será pregado a todas as nações, línguas e povos. A verdadeira Inclusão deveria ser gerada dentro das próprias igrejas conservadoras. Deveria haver a conversão e transformação, de suas estruturas organizacionais e pessoas, deixando de lado o fundamento que privilegia uma determinada experiência heterossexual e toda a organização social e política que ela envolve.
“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37).



