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Há especificidades na saúde da mulher homossexual?

Me peguei – não no sentido literal da palavra (afinal de contas pareceria um tanto quanto egocêntrico demais) pensando novamente a respeito deste tema, assunto, provocação, caraminhola na cachola, devaneio, enfim sobre nossa saúde. Venho ao longo de dourados 24 anos de vida constatando as dificuldades, as quais percebo em falas e interpelações desta que vos escreve humildemente; na vida, em bares, no shopis, na esquina, no karaokê, na sinuca, na universidade, no ponto de ônibus, enfim qual for o local onde me deparo com uma colega de sindicato, e nessas vivências temos a oportunidade de conversarmos sobre nossas vidas, afirmações, saúde, experiências, (e por que não fofocas… de leve só as santas: fulana que largou de cicrana, que logicamente é muito mais bonita que a outra, que um dia no passado houveram affair’s recíprocos, em suma fofoca, por que fofoca é normal, é arroz e feijão de muitas conversas, acho válido, bacana, e SIM EU FAÇO FOFOCA, que atire a primeira pedra quem vem dizer que nunca fez ou que não faz, é claro que muitas pessoas não conhecem tal do “bom senso”, e do “limite de se-mancol” para falar da vida alheia, mas não serei hipócrita dizendo que eu não faço a gossip girl né! Voltando ao ponto do encontro: eu e colegas do sindicato, então urge sempre a questão da prevenção, a celebre frase lésbica, que pra mim é mais que um jargão já: EU NÃO VOU USAR PVC! O tubo de PVC é tão intimista que; eu pelo menos, me sinto absolutamente broxada, exaurida de qualquer iniciativa sexual ao ver aquele tubo “plástico” olhando pra mim! Pra quem usa e acha bacana, eu desejo sucesso! Por que sucesso é sucesso em qualquer lugar! Agora não venha me falar de conforto, de que o negócio se ajusta bem as situações sexuais, que eu vou ser obrigada, por experiências e tentativas, a descordar…..GENTE, PVC tem dioxinas e furanos. Você, cara leitora (ou leitor em menores escalas, tsc!) pode estar pensando: aí que menina exagerada! Imagina, toxinas….contaminação…credo! De química eu poço me arrico, na verdade eu nada me arrisco, mas o que  eu sei é que dioxina é aquele tal de agente laranja que soltaram nuvens químicas no Vietnã…MEDO! O PVC é uma barbárie! Nesse sentido, acredito que as camisinhas convencionais dão mais conta do recado que o PVC né! Mas hoje em dia com estas revoluções da modernidade, saíram por ai com uma novidade que prometia “seguridade e conforto” para o sexo entre mulheres, a saber: o SMODNOC!  Condom (camisinha) se ler ao contrário, uma revolução eu diria, afinal não é todos os dias que você pode fazer sexo com sua namorada (deixando claro aqui que eu perdi meu “puritanismo” quando cruzei a estrada dos tijolos amarelos, logo acredito que as pessoas podem SIM fazer sexo sem ter que namorar pra isso, lógico com suas devidas responsabilidades) e, encarnar Hannibal Lecter….não é!

image004Sensual né! Brotos, por mais que as medidas preventivas sejam “tragicômicas” e não há preocupação devida do poder público com esta demanda da sociedade que somos nós, Lésbicas! O que me assusta nos últimos anos é a conformidade e a ausência de preocupação de muitas de nós image001em relação a saúde.

VAMOS FALAR SÉRIO:

CÂNCER DE MAMA E DE COLO DE ÚTERO

Estudos existentes apontam alguns fatores de risco e algumas demandas específicas nesse grupo populacional, no que se refere a câncer de mama e de colo de útero. É recorrente, na literatura, a discussão sobre a evidência de maior prevalência de certos fatores de risco para câncer de mama entre mulheres homossexuais. No entanto, a informação até agora disponível não permite tal confirmação. Entre os fatores citados registram-se maior consumo de álcool, sobrepeso, nuliparidade (que nunca engravidou) e a baixa freqüência de exames preventivos.

Fonte: Solarz, 1999; Burnett et al., 1999; Cochran et al., 2001; Dibble & Roberts, 2003; Dibble et al., 2004; Fish & Wilkinson, 2003; Frisch, 2004; Lauver et al., 1999; Valanis et al., 2000; Lauver et al., 1999.

Com relação ao câncer de colo de útero, existem evidências claras de sua ocorrência entre as mulheres desse grupo populacional. A associação entre infecção por HPV (Papiloma Vírus Humano) e neoplasia cervical foi detectada entre mulheres homossexuais na presença e na ausência de relato de relações sexuais com homens, sugerindo a possibilidade de sua transmissão na relação sexual entre mulheres. A existência de outros fatores reconhecidamente associados a câncer de colo de útero _ como início precoce da vida sexual, multiplicidade de parcerias masculinas e tabagismo _ foram também relatados.

Fonte: Fethers et al., 2000; Marrazzo et al., 2000; Marrazzo et al., 1998; Marrazzo, 2000b; Marrazzo, 2000a; Ferris et al., 1996; Bailey et al., 2000; Rankow & Tessaro, 1998.

Reforçando a noção de maior vulnerabilidade, vários estudos sugerem menor freqüência de realização de exames de papanicolaou nesse grupo populacional, principalmente entre as mulheres exclusivamente homossexuais, quando comparadas às heterossexuais. Os resultados sugerem que profissionais de saúde solicitam menos sua realização e que as mulheres nem sempre procuram cuidado, quando necessário, ou só o fazem quando surgem sérios problemas e em períodos de maiores agravos à sua saúde.

Fonte: Aaron et al., 2001; Denenberg, 1995; Diamant et al., 2000b; Diamant et al., 2000a; Fethers et al., 2000; Marrazzo et al., 2000; Rankow, 1995; Rankow & Tessaro, 1998.

Os motivos para a menor procura de serviços de saúde se relacionam: 1) à existência de discriminação; 2) ao despreparo dos profissionais para lidar com as especificidades desse grupo populacional; 3) às dificuldades das mulheres em assumirem a homo ou a bissexualidade; e 4) à negação do risco.

Fonte: Rankow, 1995; Roberts & Sorensen, 1995; Rankow & Tessaro, 1998; Bernhard, 2001; Boehmer & Case, 2004; Andersson & Westerstahl, 2000; Bergeron & Senn, 2003; Diamant et al., 2000a.

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

Com relação às doenças sexualmente transmissíveis entre mulheres homossexuais, os estudos se concentram em duas vertentes. A primeira questiona a noção vigente de que essas mulheres não têm DST e revela que as DST constituem um problema de saúde entre elas, ainda que menos prevalentes do que entre as mulheres heterossexuais.

Fonte: Bailey et al., 2004b.

A segunda vertente preocupa-se em identificar as formas e fatores associados à transmissão de DST entre mulheres que fazem sexo com mulheres, tais como: número de parceiros(as), freqüência de relação sexual, tipos de práticas sexuais e de higiene. Tricomoníase, herpes genital e lesões por HPV foram observadas sem história de contato sexual com homens. A proporção de vaginose bacteriana encontrada em estudos recentes tem sido consistente e surpreendentemente alta.

SAÚDE MENTAL E VIOLÊNCIA

Níveis elevados de sofrimento psíquico e de experiência de violência física na família, no trabalho e em lugares públicos têm sido apontados como proporcionalmente altos em vários estudos, quando comparados à população heterossexual.

Fonte: King et al., 2003; Smith et al., 2003; Meyer, 2003; Solarz, 1999; Harper & Schneider, 2003.

Com relação à violência doméstica, durante muitos anos se postulou que sua ocorrência seria muito menos freqüente entre mulheres lésbicas. No entanto, estudos evidenciaram que, ao contrário do que se supunha, sua ocorrência em termos de freqüência era similar à observada na população heterossexual.

Fonte: Burke & Follingstad, 1999; Fortunata & Kohn, 2003; Tjaden et al., 1999; Waldner-Haugrud et al., 1997.

ABUSO DE ÁLCOOL E DROGAS

Uso abusivo de álcool, uso de drogas ilícitas e tabagismo têm sido recorrentemente reportados como proporcionalmente altos nos estudos que focalizam apenas a população homo e bissexual, como também nos que a comparam com a população heterossexual.