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Admirável Mundo Novo: BBB 10

“E sem dúvida o nosso tempo… prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser… O que é sagrado para ele, não é senão a ilusão, mas o que é profano é a verdade.
Melhor, o sagrado cresce a seus olhos à medida que decresce a verdade e que a ilusão aumenta, de modo que para ele o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado” FEUERBACH, 1841, prefácio 2° edição.

A comunicação de massa tem por função inebriar o indivíduo por meio do divertimento, distanciando-o da realidade, reforçando normas sociais e promovendo o conformismo frente à situação social vigente. Para Adorno (2002) os meios de comunicação de massa passam a comunicar ideologicamente. A cultura é banalizada, pois se torna uma indústria de negócios, é produzida em série, diminuindo as diferenças, simplificando conceitos e produtos, e difundindo gostos padronizados. O público sofre uma categorização hierárquica, baseada na renda, onde os consumidores são divididos em grupos e devem se comportar segundo seu nível, e consumir os produtos em massa que foram feitos para o seu estereótipo.

A indústria cultural se mantém por meio da diversão, onde “o prazer congela-se no enfado, pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais.” (ADORNO, 2002, p. 31). E neste contexto, todas as ações que implicam reflexões são evitadas.

A ideologia a qual me refiro, difundida nos veículos de comunicação de massa, é baseada em Thompson (1995): um mecanismo de controle social nas sociedades modernas, que vem a difundir idéias dos grupos dominantes, manipulando a consciência dos grupos dominados. O autor adota um conceito crítico de ideologia. Baseado na concepção polêmica de Marx e em outras concepções, ele reformula seu contexto destacando as formas como esta serve para estabelecer e sustentar relações de poder.

Guy Debord, em 1967, anunciou a “sociedade do espetáculo”, onde:

• “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação”.

• “O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo”.

• “O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.”

Debord descreveu a sociedade da cultura de massa, envolvida pelos meios de comunicação de massa, contemplando a vida vivida pelos protagonistas da mídia. Consumo de imagens. A realidade é vivida através de representações. O indivíduo não necessita concretizar, realizar para se satisfazer.

Na sociedade do hiperespetáculo, reflexões de Juremir Machado da Silva sobre a tese 4 de Guy Debord, o indivíduo se contempla no outro, se satisfaz em observar, e se reconhece neste outro: “O espetáculo terminou por excesso de aplauso e falta de crítica”. A dominação não mais se estabelece através da manipulação, nem mesmo da “servidão voluntária”. Evoluímos para “imersão total”. A imagem é desprovida de conteúdo, mas cheia de atrativos. No hiperespetáculo as relações são mediadas por imagens, imagens “sem sombra”, imagens libertas de significação reflexiva.

Na era das celebridades e do “sorria, você está sendo filmado!”, o “eu” se reconhece no “outro”, e este é o “eu” que teria as mesmas chances, mas não teve oportunidade. O “outro” é o “eu” que não deu certo.

Vivemos o grande irmão, onde não importa o que fazemos, dizemos… o que importa é sermos vistos fazendo! É o cotidiano, a banalidade, a superficialidade e a insignificação, que é exposto ao público constantemente, e por incrível que pareça, excerce facínio! Como disse Baudrillard: a banalidade é a pornografia de hoje a verdadeira obscenidade – a da mediocridade, da insignificância e da superficialidade. “Tudo isso reforçado com a mobilização do próprio público como juiz”.

No BBB 10, teremos participações notávies:
• O maquiador e drag queen Dicesar (Dimmy Kieer) de Londrina;
• Sérgio de São Paulo – conhecido na internet como “Sr. Orgastic”, homosexual assumido, que adora ser flagrado em festas luxo e falar/vestir/beber luxuosamente.
• Angélica, que é jornalista, também homossexual, de Uberlândia.

A visibilidade destes personagens para os telespectadores do BBB 10 pode ser algo positivo para homossexualidade. Precisamos mostrar à massa quem somos e garantir o nosso espaço como pessoas, como componentes do órgão social. Porém me assombra qual será o conteúdo dessa exibição… Como irão se comportar estes participantes? Nas discussões sobre homossexualidade, que com toda certeza surgirão, o que dirão estes participantes?

Espero eu, que esta visibilidade realmente seja aproveitada de forma útil. Espero que estes três personagens não apenas queiram ser visíveis. Espero que tenham ética. Não que guardem segredos, mas que não sejam efusivos e falem demasiadamente sem ter o que falar. Espero que não façam da linguagem um uso violento, onde ela perderá sua originalidade e não servirá ao campo simbólico. Enfim, espero que sejam, que demonstrem o “ser” e não somente o “ter” ou o “aparentar”…